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Ó Pai,
Hoje estou aqui com carinho daqueles que até doem.
Daqueles que olham para o alto e rogam em silêncio, enquanto se detém para não chorar convulsivamente, tentando pensar.
Estou aqui ó, Pai, por amor tanto que dá até um rasgo na alma, dor de filho, dor de pai, dor de só.
Estou aqui para rogar por este mundo, pelas crianças do mundo, de olhar súplice ante ao agora e ao porvir.
A orar pelos ventres tenros, que já abrigam almas que tornam à vida carnal.
A rogar por toda esta sociedade, tão carente, tão superficial, cheia de paradoxos.
Que procura nos prazeres fáceis o complemento do que julgam faltar em si mesmos.
Que vive da imagem, do show, das máscaras, mas que morre de medo de sentir conscientemente, de arcar com a vida, de não fugir ante aos desafios, criando boicotes sobre si mesmos.
Estou aqui por que vejo olhares súplices:
suplices de forma clara, chorosos;
suplices vestindo a forma da violência;
suplices sob o véu do medo;
súplices construindo muros em torno se si mesmos;
quais se quisessem desta forma chamarem atenção, serem notados, valorizados, ignorando que o verdadeiro valor vêm de si mesmos, de suas próprias consciencias por serem seres importantes, amados por ti.
Mas que amor é esse, dizem eles, que não sentem?
Mas como sentir, se assim não se dispõem? Se não observam? Se não param ao menos um minuto para olhar ao redor, para perceber a vida, as coisas poucas, as pequenas, as sutis?
Ó Pai, neste mundo de desterro eu peço: faça-me forte, faça-me pequeno, ignoto se necessário for, mas que eu tenha sempre a consciência de que somos inteiros, vivos, ativos e que estamos aqui para nos experienciar, crescer. E se porventura, tiver os louros do mundo, que me silencie, que viva equilibradamente, longe da convulsão daqueles cujo complexo de inferioridade avulta tanto no ser que não somente desejam estarem bem mas, mesmo que inconscientemente, não admitem a hipótese de que outrem também assim esteja.
E que siga: um passo de cada vez,cada conquista na sua medida, cada alegria na sua conta, cada dor naquilo que caiba à experiência.
Hoje e sempre, pela graça de Deus.
Que assim seja.
FRGB

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