22 de fev. de 2012

Caminho

Absence
Se assim não me faltasse,
De tanto que a necessidade,
Valor não daria
Na lacuna que rege o caminho

Se assim não me faltasse
Nos sonhos da ingenuidade
Talvez coração não aquecesse
Frente ao artico a perfurar a pele

Se assim não me faltasse
Força não me seria
E talvez não tivesse capacidade
De ser rocha, mastro:
Flecha à frente

Se assim não me faltasse
Não seria pólen, germen
Nem morreria, semente,
Nem seria dor em casca

Mas se não morresse esquecido
Se não renascesse, de asas novas
Se não espalhasse a verdade
que de tão simples não me pertence
Perderia o eu inteiro
E lacuna, cheia, não susteria
Vaso, relva e alma

Para tanto e em tempo
De temporário que se faz infindo
A que um dia quero escolher ser infinito
Cultivo lacuna que falta
Para entender valor e messe
Na labuta que não se esquece
No evolver de velha alma

FRGB

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