10 de abr. de 2013

Preencha-te!

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Preencha-te com aquilo que te faz bem.
Mesmo a alma necessita de uma "dieta" equilibrada de modo a não carregar o sobrepeso, as cargas de pensamentos desnecessários. 
Se é afeito às artes, alimente-se dela e, caso se sentir inspirado, utiliza de teu veículo orgânico para manifestá-la no melhor de ti...
Se afeito à leitura, aos estudos, preencha-te de conhecimento, alimente-se de idéias e possivelmente de questionamentos, lembrando-se sempre de que a roda-de-agua sem o fluxo do rio não possui serventia alguma. Portanto, digne-se por um tempo a trazer ao mundo prático o que entesourou em ti.
E, sobretudo, exercite-se... o corpo se atrofia e perde a capacidade de movimentar-se quando em inércia por demasiado tempo. A alma, sem as mudanças, adquire a ferrugem das idéias cristalizadas, a frieza dos pensamentos puramente centrados no eu.
Seja leve: viva feliz!

[FRGBergamini 16/03/2013]

Supérfluo e necessário...

...e então você começa a se perguntar novamente o que é supérfluo e o que é necessário. E percebe que começa cada vez mais a olhar para si mesmo, chegando mesmo a evitar arroubos de simpatia de modo a não se fazer mal entendido. Quando então percebe que começa a ser mais frio também; a ser menos disponível ou amigável mesmo quando se reporta a interesses de teor afetivo mais profundo. E percebe que perdeu parte de sua essência frente o gosto acre de certas convivências. Percebe que não quer mais gostar, que muitas vezes se recusa sequer a amar porque quando se doa inteiro, se vê vulnerável frente àqueles que ainda optem por fazerem-se pedra e chumbo. E se pergunta o porque de complicarem tanto...
Cala o coração que grita nas noites frias ao arroubo do entendimento do não-ser... Já se consola com as impossibilidades, com os impedimentos... Vê de cima o que outrora incomodava sem, entretanto, se fazer absolutamente insensível aos fatos.
Sabe esperar...
Opta pelo necessário...amar; a si e aos outros a sua volta.
Se livra do supérfluo; os cascalhos pertencentes a alguns... chegando mesmo a fazer enterro solene dentro em si.
Vive e espera por perspectivas, selecionando com cuidado as novos caminhos, de modo a não permitir que te desarranjem casa e telhado, coração e fé.

[FRGBergamini 24/03/2013]

Começo a ter certo prazer em separar o joio do trigo; as sementes boas daquelas que parecem não terem a capacidade de dar planta, árvore, ou fruto algum.
Separo-as cuidadosamente, com olhar calmo e paciente. Vejo que algumas até mesmo carregam certas manchinhas - superáveis ao meu ver: Capazes de formarem árvores de grande porte, fornecendo abrigo nas noites de tempestade e sombra em dias ensolarados e quentes. Entretanto, não me disponho de modo algum a guardar aquelas inferteis; estas, abortam-se por si mesmas e confesso que, a cada dia, as percebo mais facilmente. São aquelas sementes ansiosas e entusiastas demais; aquelas que desejam crescer de uma hora para outra, atingir as alturas sem nem mesmo terem tempo de fortalecerem tronco ou terem folhas em abundância.
Para joeirá-las, utilizo de uma simples pergunta. Uma pergunta similar àquela que faço frente as paixões do dia-a-dia.
Às paixões, pergunto-me se seriam elas capazes de gostar de mim da maneira como estaria eu disposto a conhecer e gostar delas. Sem casca ou máscaras, porque corpo se perde e envelhece; sentimento entretanto, se mantém, caso seja genuíno. Se a resposta é positiva, dou um passo à frente.
Às sementes, pergunto-me se, apesar do solo rico e da água em abundância, seriam elas pacientes o bastante para crescerem ao seu tempo, aproveitando, ar, céu e sol. Se me parecem férteis, as planto com carinho.
Sementes e paixões. No final, parecem que seguem a mesma linha e o mesmo rumo. Somente ao tempo certo tudo fica mais claro, mais evidente.

[FRGBergamini 02/04/2013]
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Sabe aquela hora em que você sente que tem muita poeira sob seus sapatos? 
Aquela hora em que percebe que os ponteiros passam pesados do 1 ao 12? 
A hora em que você vê tudo tão desorganizado que faxina rápida só poderia fazer parecerem lustrosos os móveis que, no mesmo lugar entretanto, não alterariam o dinamismo do ambiente? A hora em que os pêndulos, ao soarem ao sabor do vento, trazem as mesmas notas melancólicas?
É nesta hora que me vejo.
É neste momento em que me encontro: hoje é dia de faxina!
Aquela em que se sacode toda a poeira, em que se permite o espanador dance livre por sala, quarto e cozinha... por coração, presença e tempo.
É o momento em que se corta os cabelos, em que se apara as unhas, em que se toma um bom banho quente. O momento em que se apara as arestas, em que se reduz os carboidratos, que se volta à academia. O momento em que se livra de todo o excesso: do coração ao que há em casa; tudo que não tem serventia é enviado à reciclagem.
Porque reciclar no final acaba sendo bom; pode servir de renda ou serventia a outrem. Mas o que é perecível, aquilo que já não carrega o odor agradável e leve das boas coisas, sejam estas amargura ou raiva, desanimo ou inação, isto tudo é jogado com prazer na lata de lixo.
Fortalecer laços dos que se importam, podar os galhos secos que já não fornecem verdor algum.
Estabelecer metas e planos paupáveis, caminhar corajosos sobre o desconhecido.
De malas prontas, aqui fico. Não pela busca por conforto. Mas pela busca do preparo. Mudo tudo e aqui fico. Porque a mudança maior está bem perto e ela chega sorrateira que só. E quando vier, já preparado, já com toda a bagagem do que vale, vou; se tiver asas até pulo de penhasco se necessário for. E vou com honra, porque fiz, mudei, e agi com dignidade, por boa índole. É isso que me basta!

[FRGBergamini 05/04/2013]