10 de abr. de 2013


Começo a ter certo prazer em separar o joio do trigo; as sementes boas daquelas que parecem não terem a capacidade de dar planta, árvore, ou fruto algum.
Separo-as cuidadosamente, com olhar calmo e paciente. Vejo que algumas até mesmo carregam certas manchinhas - superáveis ao meu ver: Capazes de formarem árvores de grande porte, fornecendo abrigo nas noites de tempestade e sombra em dias ensolarados e quentes. Entretanto, não me disponho de modo algum a guardar aquelas inferteis; estas, abortam-se por si mesmas e confesso que, a cada dia, as percebo mais facilmente. São aquelas sementes ansiosas e entusiastas demais; aquelas que desejam crescer de uma hora para outra, atingir as alturas sem nem mesmo terem tempo de fortalecerem tronco ou terem folhas em abundância.
Para joeirá-las, utilizo de uma simples pergunta. Uma pergunta similar àquela que faço frente as paixões do dia-a-dia.
Às paixões, pergunto-me se seriam elas capazes de gostar de mim da maneira como estaria eu disposto a conhecer e gostar delas. Sem casca ou máscaras, porque corpo se perde e envelhece; sentimento entretanto, se mantém, caso seja genuíno. Se a resposta é positiva, dou um passo à frente.
Às sementes, pergunto-me se, apesar do solo rico e da água em abundância, seriam elas pacientes o bastante para crescerem ao seu tempo, aproveitando, ar, céu e sol. Se me parecem férteis, as planto com carinho.
Sementes e paixões. No final, parecem que seguem a mesma linha e o mesmo rumo. Somente ao tempo certo tudo fica mais claro, mais evidente.

[FRGBergamini 02/04/2013]

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