...e então você começa a se perguntar novamente o que é supérfluo e o que é necessário. E percebe que começa cada vez mais a olhar para si mesmo, chegando mesmo a evitar arroubos de simpatia de modo a não se fazer mal entendido. Quando então percebe que começa a ser mais frio também; a ser menos disponível ou amigável mesmo quando se reporta a interesses de teor afetivo mais profundo. E percebe que perdeu parte de sua essência frente o gosto acre de certas convivências. Percebe que não quer mais gostar, que muitas vezes se recusa sequer a amar porque quando se doa inteiro, se vê vulnerável frente àqueles que ainda optem por fazerem-se pedra e chumbo. E se pergunta o porque de complicarem tanto...
Cala o coração que grita nas noites frias ao arroubo do entendimento do não-ser... Já se consola com as impossibilidades, com os impedimentos... Vê de cima o que outrora incomodava sem, entretanto, se fazer absolutamente insensível aos fatos.
Sabe esperar...
Opta pelo necessário...amar; a si e aos outros a sua volta.
Se livra do supérfluo; os cascalhos pertencentes a alguns... chegando mesmo a fazer enterro solene dentro em si.
Vive e espera por perspectivas, selecionando com cuidado as novos caminhos, de modo a não permitir que te desarranjem casa e telhado, coração e fé.
[FRGBergamini 24/03/2013]
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