2 de mai. de 2013
... onde irá acertar
Toda vez em que me sinto estranho, em que sinto meu coração descompassado, desalinhado mesmo do côncavo do meu peito, utilizo do recurso das letras das imagens: maneira de tentar expressar o que sinto aos que muitas vezes nem fazem conta dos meus versos.
Se há harmonia, pés leves a bailar nos sonhos pueris, faço menção e graças ao tempo e ao vento e faço rápido, porque as formas do mundo - gaiolas da inexpressividade - costumam celeremente se apossar dos sorrisos soltos fazendo-os opacos, cinzas como o concreto.
Me pintei de amarelo, alaranjei-me, reverdeci-me, azulado fiquei, branco, preto, rosa, sem cor... mas a dúvida persiste.
"O mundo tem receio de expressões puras de afeto" - falam-me os espectros do tempo.
E eu, que sou sentimento, que vibro, que sinto meus olhos se encherem de lagrimas, que grito se tenho vontade, que afago quando me permitem, que calo quando tenho que falar e que falo quando permanecem em silêncio, eu.... eu.... eu que me disponho, que não tenho peias enquanto se enlaçam nas dores e nos medos, eu.... eu que sou tudo e um tudo tão grande que não sou nada por fim...me questiono.
Por que trazer doçura doeria? Por que se importar te faz pequeno e insignificante?
Por que ser vulnerável é sinônimo de fraqueza e não de coragem?
***
Passos lentos na direção contrária; caminhos se abrem.
Não há nada a fazer se a flecha já foi lançada. O pomo está sobre minha cabeça.
Resta saber onde irá acertar.
10 de abr. de 2013
Preencha-te!
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Mesmo a alma necessita de uma "dieta" equilibrada de modo a não carregar o sobrepeso, as cargas de pensamentos desnecessários.
Se é afeito às artes, alimente-se dela e, caso se sentir inspirado, utiliza de teu veículo orgânico para manifestá-la no melhor de ti...
Se afeito à leitura, aos estudos, preencha-te de conhecimento, alimente-se de idéias e possivelmente de questionamentos, lembrando-se sempre de que a roda-de-agua sem o fluxo do rio não possui serventia alguma. Portanto, digne-se por um tempo a trazer ao mundo prático o que entesourou em ti.
E, sobretudo, exercite-se... o corpo se atrofia e perde a capacidade de movimentar-se quando em inércia por demasiado tempo. A alma, sem as mudanças, adquire a ferrugem das idéias cristalizadas, a frieza dos pensamentos puramente centrados no eu.
Seja leve: viva feliz!
[FRGBergamini 16/03/2013]
Supérfluo e necessário...
...e então você começa a se perguntar novamente o que é supérfluo e o que é necessário. E percebe que começa cada vez mais a olhar para si mesmo, chegando mesmo a evitar arroubos de simpatia de modo a não se fazer mal entendido. Quando então percebe que começa a ser mais frio também; a ser menos disponível ou amigável mesmo quando se reporta a interesses de teor afetivo mais profundo. E percebe que perdeu parte de sua essência frente o gosto acre de certas convivências. Percebe que não quer mais gostar, que muitas vezes se recusa sequer a amar porque quando se doa inteiro, se vê vulnerável frente àqueles que ainda optem por fazerem-se pedra e chumbo. E se pergunta o porque de complicarem tanto...
Cala o coração que grita nas noites frias ao arroubo do entendimento do não-ser... Já se consola com as impossibilidades, com os impedimentos... Vê de cima o que outrora incomodava sem, entretanto, se fazer absolutamente insensível aos fatos.
Sabe esperar...
Opta pelo necessário...amar; a si e aos outros a sua volta.
Se livra do supérfluo; os cascalhos pertencentes a alguns... chegando mesmo a fazer enterro solene dentro em si.
Vive e espera por perspectivas, selecionando com cuidado as novos caminhos, de modo a não permitir que te desarranjem casa e telhado, coração e fé.
[FRGBergamini 24/03/2013]
Cala o coração que grita nas noites frias ao arroubo do entendimento do não-ser... Já se consola com as impossibilidades, com os impedimentos... Vê de cima o que outrora incomodava sem, entretanto, se fazer absolutamente insensível aos fatos.
Sabe esperar...
Opta pelo necessário...amar; a si e aos outros a sua volta.
Se livra do supérfluo; os cascalhos pertencentes a alguns... chegando mesmo a fazer enterro solene dentro em si.
Vive e espera por perspectivas, selecionando com cuidado as novos caminhos, de modo a não permitir que te desarranjem casa e telhado, coração e fé.
[FRGBergamini 24/03/2013]
Começo a ter certo prazer em separar o joio do trigo; as sementes boas daquelas que parecem não terem a capacidade de dar planta, árvore, ou fruto algum.
Separo-as cuidadosamente, com olhar calmo e paciente. Vejo que algumas até mesmo carregam certas manchinhas - superáveis ao meu ver: Capazes de formarem árvores de grande porte, fornecendo abrigo nas noites de tempestade e sombra em dias ensolarados e quentes. Entretanto, não me disponho de modo algum a guardar aquelas inferteis; estas, abortam-se por si mesmas e confesso que, a cada dia, as percebo mais facilmente. São aquelas sementes ansiosas e entusiastas demais; aquelas que desejam crescer de uma hora para outra, atingir as alturas sem nem mesmo terem tempo de fortalecerem tronco ou terem folhas em abundância.
Para joeirá-las, utilizo de uma simples pergunta. Uma pergunta similar àquela que faço frente as paixões do dia-a-dia.
Às paixões, pergunto-me se seriam elas capazes de gostar de mim da maneira como estaria eu disposto a conhecer e gostar delas. Sem casca ou máscaras, porque corpo se perde e envelhece; sentimento entretanto, se mantém, caso seja genuíno. Se a resposta é positiva, dou um passo à frente.
Às sementes, pergunto-me se, apesar do solo rico e da água em abundância, seriam elas pacientes o bastante para crescerem ao seu tempo, aproveitando, ar, céu e sol. Se me parecem férteis, as planto com carinho.
Sementes e paixões. No final, parecem que seguem a mesma linha e o mesmo rumo. Somente ao tempo certo tudo fica mais claro, mais evidente.
[FRGBergamini 02/04/2013]
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Sabe aquela hora em que você sente que tem muita poeira sob seus sapatos?
Aquela hora em que percebe que os ponteiros passam pesados do 1 ao 12?
A hora em que você vê tudo tão desorganizado que faxina rápida só poderia fazer parecerem lustrosos os móveis que, no mesmo lugar entretanto, não alterariam o dinamismo do ambiente? A hora em que os pêndulos, ao soarem ao sabor do vento, trazem as mesmas notas melancólicas?
É nesta hora que me vejo.
É neste momento em que me encontro: hoje é dia de faxina!
Aquela em que se sacode toda a poeira, em que se permite o espanador dance livre por sala, quarto e cozinha... por coração, presença e tempo.
É o momento em que se corta os cabelos, em que se apara as unhas, em que se toma um bom banho quente. O momento em que se apara as arestas, em que se reduz os carboidratos, que se volta à academia. O momento em que se livra de todo o excesso: do coração ao que há em casa; tudo que não tem serventia é enviado à reciclagem.
Porque reciclar no final acaba sendo bom; pode servir de renda ou serventia a outrem. Mas o que é perecível, aquilo que já não carrega o odor agradável e leve das boas coisas, sejam estas amargura ou raiva, desanimo ou inação, isto tudo é jogado com prazer na lata de lixo.
Fortalecer laços dos que se importam, podar os galhos secos que já não fornecem verdor algum.
Estabelecer metas e planos paupáveis, caminhar corajosos sobre o desconhecido.
De malas prontas, aqui fico. Não pela busca por conforto. Mas pela busca do preparo. Mudo tudo e aqui fico. Porque a mudança maior está bem perto e ela chega sorrateira que só. E quando vier, já preparado, já com toda a bagagem do que vale, vou; se tiver asas até pulo de penhasco se necessário for. E vou com honra, porque fiz, mudei, e agi com dignidade, por boa índole. É isso que me basta!
[FRGBergamini 05/04/2013]
28 de jan. de 2013
A típica... e a tônica...
Tudo que te é típico, forma desta rotina do não ser...
Tudo que te estimula, tônica de palavras ocas; impensadas...
Tudo que te parece profundo; a ti e às mentes menos desenvolvidas: Moscas voejando ao redor daquilo que exalas.
Este "tudo" que te parece, me remonta ao "até quando?"
Indigno-me, apiedo-me, calo.
Quem está acima do monte, observa as dores e o provável alarido dos que ficaram.
Os ao sopé, entretanto, de chofre soerguem-se para ver o sol e optam solenemente por permanecerem na lama pútrida das velhas formas.
Já desci noutro tempo e não me vistes.
Já sussurrei cantilenas e não me ouvistes.
Então porque me inquietar?
Há vermes que simplesmente não sabem o gosto de uma fruta madura; preferem-nas podres.
Até quando?
Tudo que te estimula, tônica de palavras ocas; impensadas...
Tudo que te parece profundo; a ti e às mentes menos desenvolvidas: Moscas voejando ao redor daquilo que exalas.
Este "tudo" que te parece, me remonta ao "até quando?"
Indigno-me, apiedo-me, calo.
Quem está acima do monte, observa as dores e o provável alarido dos que ficaram.
Os ao sopé, entretanto, de chofre soerguem-se para ver o sol e optam solenemente por permanecerem na lama pútrida das velhas formas.
Já desci noutro tempo e não me vistes.
Já sussurrei cantilenas e não me ouvistes.
Então porque me inquietar?
Há vermes que simplesmente não sabem o gosto de uma fruta madura; preferem-nas podres.
Até quando?
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