2 de mai. de 2013

... onde irá acertar



Toda vez em que me sinto estranho, em que sinto meu coração descompassado, desalinhado mesmo do côncavo do meu peito, utilizo do recurso das letras das imagens: maneira de tentar expressar o que sinto aos que muitas vezes nem fazem conta dos meus versos.
Se há harmonia, pés leves a bailar nos sonhos pueris, faço menção e graças ao tempo e ao vento e faço rápido, porque as formas do mundo - gaiolas da inexpressividade - costumam celeremente se apossar dos sorrisos soltos fazendo-os opacos, cinzas como o concreto.
Me pintei de amarelo, alaranjei-me, reverdeci-me, azulado fiquei, branco, preto, rosa, sem cor... mas a dúvida persiste.
"O mundo tem receio de expressões puras de afeto" - falam-me os espectros do tempo.
E eu, que sou sentimento, que vibro, que sinto meus olhos se encherem de lagrimas, que grito se tenho vontade, que afago quando me permitem, que calo quando tenho que falar e que falo quando permanecem em silêncio, eu.... eu.... eu que me disponho, que não tenho peias enquanto se enlaçam nas dores e nos medos, eu.... eu que sou tudo e um tudo tão grande que não sou nada por fim...me questiono.
Por que trazer doçura doeria? Por que se importar te faz pequeno e insignificante?
Por que ser vulnerável é sinônimo de fraqueza e não de coragem?

***

Passos lentos na direção contrária; caminhos se abrem.
Não há nada a fazer se a flecha já foi lançada. O pomo está sobre minha cabeça.
Resta saber onde irá acertar.


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