9 de dez. de 2012

Solidão acolhedora...


É uma solidão esta, estranha de se sentir. Dessas que nos traz o alento da verdade, a leveza das simples coisas, o carinho de poder sorrir sem razão aparente.
Solidão estranha porque boa; mas confesso que ainda não tenha me acostumado a ela. É um vazio destes de que falta algo, mas  que sabemos que este algo não nos completa.
É uma solidão grata: grata pela vida, pelas pessoas ao nosso redor, àqueles a quem sabemos que podemos contar e que sabem de igual forma que estamos ao seu lado. Grata pela paisagem, pelo tempo, pelo vento que ameniza estes dias sobremaneira quentes.
É uma solidão acolhedora, por mais paradoxal isto pareça. Acolhedora por não trazer as exigências descabidas  de uma relação a dois cujo monólogo era mais constante. De uma interação em que vibrava o interesse da outra parte, que aproveitava os dias, sugava as horas, vampirizava de maneira voraz -desalinhava meu tempo.
Solidão grata. Solidão acolhedora, esta.
Talvez seja esta a solidão que os sábios por muitas vezes procuram. E talvez não tenha me acostumado ainda por sabedoria me faltar em  aproveitá-la por completo.

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